Será que ser leitor é sustentável?

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Qual é o verdadeiro custo ambiental das nossas escolhas como leitores?

Afinal de contas, um livro físico, mesmo em papel reciclado, precisa de água, energia, árvores e tinta para ser produzido. De uma perspectiva pessoal isto pode parecer um custo reduzido a pagar pelo prazer de segurar um livro físico nas nossas mãos. Contudo, a realidade é bem diferente.

São muitas as ocasiões em que o velho debate entre o livro físico e o ebook reaparece. Qual dos dois é o melhor? E qual dos dois é a escolha que menos danifica o nosso ambiente?

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Photo by Eli Francis on Unsplash

Afinal de contas, os livros físicos poluem indiscutivelmente os nossos recursos. Mas então e os ebook? Não dependem eles de aparelhos electrónicos, cujo o custo de produção é astronómico e cada vez mais impõe uma carga surreal sobre o nosso meio ambiente?

Por isso, quanto muito, este debate resume-se à escolha entre o menor de dois males.

Considerando tudo isto, são muitos os peritos que parecem concordar que, para os leitores ávidos (mais de 20 livros por ano), o ebook é a solução que menos polui. Para os leitores intermédios os livros físicos continuam a ser a escolha ideal [1].

Mas será que estamos a fazer a pergunta certa?

Ambas as soluções implicam a proliferação do ciclo vicioso de produção e consumo. Este é um ciclo aberto, sem fim, que aumenta a carga de contaminantes que atinge o nosso meio ambiente e se estende até às nossas casas [2].

Este é um ciclo que não se preocupa em re-absorver o seu impacto ou em procurar a sustentabilidade. Por isso, tudo o que implique produção nunca irá conter a resposta à sustentabilidade tão necessária e tão rara nas nossas vidas.

Mas então e os livros que são impressos em papel reciclado?

São cada vez mais as editoras que têm investido em papel reciclado, mas são muito poucas aquelas que estão dispostas a dar esse salto sem aumentar o preço dos seus livros [3].

O papel reciclado tem o seu appeal de um ponto de vista ecológico. Contudo, este processo nunca foi um processo limpo ou eficiente. Pode ser uma solução intermédia e interessante. Mas continua a ser extremamente poluente e punitiva para com os nossos recursos hídricos. 

A resposta ideal também é a menos sexy

Desde o ponto de vista ambiental não existe uma escolha verdadeiramente ecológica quando falamos em hábitos de leitura. Excepto aquela que ninguém fala: a reutilização, o uso de bibliotecas e a compra e venda de livros usados!

Os livros usados, tão apelativos para uns e tão repugnantes para outros, contêm uma resposta mais satisfatória ao nosso dilema. É verdade que muitos livros usados nos chegam às portas de capas dobradas e rasgadas, de folhas rabiscadas e amareladas e, por vezes, carregados de odores indecifráveis que lembram salas abafadas e intensamente permeadas pelo cheiro e fumo de tabaco.

Estes livros também carregam em si o custo da desflorestação e da contaminação dos nossos rios e mares com tintas e reagentes tóxicos. Eles não são imaculados nem desprovidos de custos ambientais. Mas continuam a ser a nossa melhor solução.

O problema é o mesmo de sempre: a imagem.

A reutilização é um conceito que dificilmente ganha raiz numa sociedade absorvida pelo poder da imagem. Numa sociedade onde encontramos e definimos a nossa identidade pelas escolhas que fazemos e pelas coisas que compramos e possuímos.

O novo e o exótico são Reis na paisagem actual. Existe pouco espaço para aqueles livros que já conheceram várias casas e se passearam pelo mundo de lombadas quebradas e páginas amareladas e fedorentas.

Continuo a acreditar que somos poucos aqueles que buscamos estes livros de propósito. Aqueles que se sentem mais fascinados e irremediavelmente cativados pelas prateleiras caóticas dos albarrabistas. Aqueles que se sentem curiosos pela oportunidade de passar os umbrais das casas de desconhecidos para negociar preços de livros desgastados que já viram mais primaveras do que aquelas que nós próprios tivemos a oportunidade de contar.

Somos poucos. Mas gosto de acreditar que gostamos de ser teimosos e de importunar os nossos amigos com os nossos gostos indecifráveis e as nossas manias de preservação do meio ambiente.

Não foi à tanto tempo que saltei para este barco. Mas, honestamente, não quero sair, apenas quero trazer mais pessoas para o nosso desfile sem fim.

Por isso mesmo, hoje quero partilhar contigo alguns dos sites que uso para encontrar livros usados a bom preço.

  1. Bookfinder – Este é basicamente o primeiro site que uso para encontrar os livros que quero ao menor preço possível. A bookfinder é um agregador de conteúdo que compara o preço de um determinado livro entre vários sites: Amazon, Abebooks e Alibris.
  2. Awesome Books – Não é a primeira nem será a última vez que compro através desta livraria do Reino Unido. Uma das coisas que não gosto tanto na Awesome Books é o facto deles não serem muito claros sobre a real condição dos livro, às vezes recebemos o ocasional livro num estado deplorável. Mas, na maior parte das vezes os livros chegam em bom estado.
  3. Fnac Marketplace – Se queres saber se o marketplace da Fnac é legítimo vieste ter com o pessoa certa. Faz quase um ano que comecei a comprar e vender através do Marketplace e nunca me arrependi.
  4. Tradestories – este recente projecto permite a troca ou venda de livros em território Português, embora pessoalmente ainda não tenha tido a oportunidade de usar esta plataforma, é algo que planeio fazer em breve
  5. Albarrabistas
  6. Lojas de artigos em segunda mão (tipo Cash Converters)
  7. Lojas sociais e solidárias (por exemplo, a Associação Remar no Porto) – cheguei a comprar livros em excelente estado a 2€ ou menos!
  8. Feiras de Usados
  9. OLX | Custo Justo
  10. Grupos de compra, venda e troca no Facebook
  11. Bibliofeira – numa nota menos boa, infelizmente já encomendei e paguei por um livro que nunca me chegou às mãos. Desconfio que o vendedor nunca enviou o livro, uma vez que deixou de responder aos meus emails assim que lhe enviei o comprovativo do pagamento e a morada para o envio. Mas também já vendi vários livros através do bibliofeira. Por isso, como em tudo na vida, tenta confirmar se o vendedor é de confiança antes de pagares seja o que for.

E tu, conheces algum destes sites? Tens mais sugestões? Onde costumas comprar os teus livros usado?

Vamos aumentar a nossa comunidade de entusiastas por livros usados!

Links para outros artigos interessantes:

[1] Books vs ebooks: Protect the environment with this simple decision by Michael Carpenter

[2] Effect of Emerging Contaminants from Paper Mill Industry into the Environment and Their Control in Environmental Contaminants

[3] Saving the Planet, One Book at a Time by Rachel Donadio

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